cidade cerrado

Tá difícil postar por aqui. Correrias mil! Pra dar uma movimentada vou postar umas fotos de um ensaio que ainda está em andamento. Como eu havia dito no post anterior, é difícil fotografar Brasília partindo dos referenciais para os quais eu estava voltado nos tempos de São Paulo: Megacidade, cidade global, enfim…  O que tem me ocorrido sobre a paisagem por aqui, é uma coisa meio óbvia até, que é a presença da natureza na paisagem urbana de Brasília. Eu estou super afim de explorar essa questão de forma mais profunda, mas por enquanto seguem umas fotos que eu comecei a produzir.

Essa seca potencializada evidenciou essa questão. A paisagem a princípio inóspita do cerrado se sobrepõe à cidade moderna.  As recentes queimadas nos interstícios do plano piloto nos remetem à visões de um mundo pós-apocalípitico. São essas imagens que eu ando buscando nesse ensaio. A onipresença do cerrado, sobreposta à paisagem contruída de Brasília. Vamos ver onde isso vai dar.

Por enquanto eu sigo no sentimento paradoxal de torcer pra demorar um pouquinho mais a chuva pra estender o tempo que eu tenho pra fotografar, e a ânsia por aquele cheirinho das primeiras águas que tanto alegram nossos sofridos narizes calangos!

Ah! Esse mês tem Projeto em Bloco, estou na correria pra produzir mais material, quem puder apareça que vai ser divertido:  www.projetoembloco.com.br

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recomeço

Ando sentindo um vazio danado. Não tenho conseguido fotografar tanto quanto eu gostaria desde que voltei de São Paulo. Brasília é uma cidade que tem questões muito específicas, e eu tenho tido dificuldade em conseguir dar continuidade às reflexões sobre a cidade contemporânea que eu estava desenvolvendo nos férteis tempos de estudo em São Paulo.

É estranho porque voltei pra Brasília esfuziante. Depois de me lambuzar em São Paulo voltei certo de que esse é o lugar onde eu quero manter minhas raízes fincadas. Menos de 10 meses depois eu ando meio tomado por uma apatia paralisante, a mesma que me fez fugir daqui em dado momento. E isso tem haver com essa tentativa de retomada desse Blog,  eu tenho pensado muito sobre o tédio que o espaço do plano me provoca, e algumas ideias de como encarar tudo isso surgiram nesse processo. Agora falta sair da inércia. Formatar o material que eu produzi em São Paulo faz parte dessa “auto-terapia” que eu estou me propondo.

Eu comecei esse blog no meio do processo de desenvolvimento da monografia final de um curso que era a grande motivação/desculpa da minha ida pra São Paulo, e acabou que eu não consegui fazer dele o que eu tinha imaginado. Isso é um pouco frustrante. Infelizmente naquele momento eu não tinha o afastamento e me faltava disciplina. Mas enfim, eu comecei a pós-graduação, mergulhei fundo na cidade, fotografei muito e para encurtar a história, a tal monografia já ficou pronta, e a Pós-Graduação já foi completamente finalizada. E apesar de ter ficado feliz com o resultado e com a recepção acadêmica do “produto” monografia, fiquei um pouco frustrado por não ter conseguido sistematizar/compartilhar o processo.

E esse blog ficou aqui, iniciado com uma migração de posts antigos aleatórios de um blog anterior, misturado com algumas coisas mal acabadas que eu fui postando, tornou-se um registro da bagunça que tomava conta da minha cabeça naquele momento.

Eu lembro que quando iniciei tinha vontade de fazer uma espécie de diário de bordo de uma viagem em busca de respostas para as minhas inquietações sobre a cidade e sobre o pensar urbano. Desde o princípio eu sabia que o meu tema da monografia final seria relacionado a paisagem urbana, e como não poderia deixar de ser, sobre mim mesmo no meio dessa paisagem. O formato seria algo como as histórias de Sherlock Holmes, uma narrativa da busca por pistas que permitissem desvendar enigmas, no meu caso o imenso enigma que é a maior metrópole da América Latina.

Claro que a minha vida não é tão cheia de emoções, e eu também não sou tão perspicaz no uso dos métodos científicos e da lógica dedutiva como Sherlock Holmes. E muito menos me aproximo do domínio da boa literatura de Arthur Conan Doyle, que seria indispensável para transformar esse percurso em histórias interessantes (como, aliás, vocês já devem ter percebido).

Mas, ainda assim me parecia valer a pena, mesmo que fosse algo só para mim, pra que eu pudesse reler tempos depois, pra poder revisitar os pensamentos ou quem sabe pra poder compartilhar com alguns amigos (os conhecidos e os que ainda estão por vir). Procurar postar sínteses de tudo o que eu fosse lendo, funcionando como um caderno de resenhas, e também como um sketch book do desenvovimento de um estudo fotográfico sobre a cidade de São Paulo. E, de quebra, formar um diário pessoal sobre a minha vivência da cidade. (Quantas pretensões!)

Para dar um pouco mais de sentido para esse escritos esquizofrênicos acho que eu preciso contextualizar as circunstâncias que me levaram para essa empreitada.

Eu sempre fui meio ansioso. Às vezes eu acho isso até bom, às vezes me atrapalha muito. Durante o período da faculdade de Arquitetura e Urbanismo comecei a desenvolver uma enorme vontade de entender as cidades. E me dediquei com afinco às disciplinas que prometiam me instrumentalizar para uma tarefa tão desafiadora. Prematuramente, eu comecei a achar que a literatura urbanística deixava de lado alguma coisa que eu não sabia o que era, mas que eu intuia ser importante. E naquele momento comecei a desenvolver uma postura meio “imatura revoltada” com o statu quo do ensino sobre a cidade, e sobre como arquitetos em pleno século XXI ainda eram treinados como Deuses capazes de solucionar todas as questões da sociedade com o seu traço genial.

A insatisfação gerou o convívio com alguns amigos igualmente questionadores e finalmente o contato com escritos de outras áreas que pareciam indicar um caminho libertador à  ser percorrido. Eu lembro de ler alguns textos de Nelson Brissac Peixoto, mais especificamente a fotonovela máquinas de guerra X Aparelhos de Captura e sentir que o que eu queria da minha vida era dar conta do que aquele texto clamava, uma nova postura perante o fazer urbano.

Na rasteira desses escritos li alguma coisa de Deleuze (e mesmo tendo entendido muito pouco me senti absolutamente instigado). Daí para encontrar os situacionista, Paola Berenstein, ser apresentado a caosmose de Guatarri… enfim… a coisa foi indo e finalmente percebi que não estava sozinho nas inquietações e que talvez fosse possível desenvolver uma forma de atuar no mundo, coerente com o que eu sentia que era “certo” (palavra perigosa).

Imagens trabalhadas para ilustrar o meu ensaio teórico para o curso de arquitetura.
As fotografias de base são de autoria de Denise Vieira, MHRossetti e minhas.

Bom, eu sei que ao fim da faculdade, depois de tentar fazer um pouco de arquitetura que dialogasse com todas essas questões, eu percebi que o que eu estava fazendo era conceitual (no pior sentido da palavra). Eu estava simplesmente ilustrando idéias, e pelo meio do caminho me calhou que a melhor forma de ilustrar aquelas ideias talvez não fosse através da arquitetura strictu sensu.

Pranchas de apresentação do meu trabalho final de graduação.
Uma Intervenção no CONIC. Link.

Claro que depois de estudar arquitetura por 8 anos, chegar a essa conclusão e pensar em não “atuar como arquiteto” foi meio atemorizante. Eu já fotografava havia algum tempo então quando eu cogitei ir pra São Paulo estudar fotografia (para ver se através dela eu conseguiria me expressar melhor, e talvez quem sabe um dia conseguir contribuir  na evolução do entendimento da cidade, ou simplesmente do pensar urbano) tudo parecia fazer muito sentido. Principalmente por coincidir com um período de tédio com Brasília, e com a necessidade de desbravar outras possibilidades, tanto fora quanto dentro da minha cabeça. A aparente ordem e serenidade da capital não condiziam com a desordem e o caos dentro de mim. E assim, em março de 2008 eu parti pra metrópole.

Eu já conhecia São Paulo de algumas viagens que eu havia feito durante a faculdade. Aquela cidade sempre me intrigou. A sensação de entrar em um buraco do metrô e sair em lugares morfologicamente tão diferentes sempre me deram a sensação de estar mergulhado em alguma coisa que não segue uma lógica e que não tem fim. Como se estivesse no meio de um labirinto sem saídas. Impossível de ser entendido. Horas olhando mapas, fotos aéreas, nada adiantava diante da experiência de se sentir pequeno e incapaz perante aquela escala. Mas nessas viagens prévias o foco sempre foi arquitetura, e o tempo nunca possibilitou uma real imersão.

Essas fotografias foram feitas em viagem por São Paulo entre 2002 e 2005.
Tem mais uma porção delas em um post antigo.

Mas no momento em que eu me mudei pra São Paulo foi diferente. Eu queria era entendê-la. Desbravar cada cantinho. Mapear mesmo, a cidade todinha todinha. dividi-la em pedaços. Fragmentá-la até que ela pudesse se tornar completamente visível. Descobrir todas as dinâmicas que perpassam o espaço. Os arranjos macro econômicos que permitem os deslocamentos de eixos de desenvolvimento. Estudar a relação da cidade com o seu “patrimônio”, a capacidade de se re-erguer sobre suas próprias ruínas. Mensurar a pressão da imensa periferia subdesenvolvida sobre a maior potência econômica da América Latina. Desviar da imagem oficializada da cidade, que como ouro de tolo sacia a ânsia dos que tem pouco tempo pra olhar. Imagem construída a partir de seus monumentos, que vão sendo trocados, ditados pela mídia associada aos interesses do extremos capital. Eu queria levantar todos os símbolos. Dissecar a cidade onde grandes concessões são feitas pela sociedade, que se dobra ao poder do dinheiro (vide o “pink money” e sua força em transformações urbanas). Eu queria desossá-la, desenterrar suas infra-estruturas. Uma autópsia, levantando cada espessa camada: derme, epiderme, gordura, musculos, entranhas… Dominar toda a mecânica que permite que aquela imensa mancha sobreviva ao caos.

2 anos e meio depois posso dizer que sobrevivi a essa tentativa :)  E é claro que eu não cheguei nem perto de conseguir compreender São Paulo. Mas me deparar com a incomensurabilidade daquela cidade me fez crescer muito. E agora, mesmo afastado no tempo e no espaço, acho que vale a pena resumir por aqui o percurso. Talvez só como forma de dar o formato que eu gostaria de ter dado antes para a minha pesquisa, talvez como forma de sistematizar a extensa produção fotográfica que agora adormece nos meus HD’s. Talvez por que no meio da crise em que eu estou não me reste outra coisa à fazer. Enfim, o fato é que eu vou RECOMEÇAR esse blog.

Pretendo ir relacionando os escritos que eu percorri, com os fotógrafos que eu estudei, e ir postando as algumas fotografias que fui fazendo. E, claro, como as idéias não são estáticas (e não dá pra viver só de passado) eu vou intercalar com fotografias de Brasília, atuais, e com as coisas que eu tenho tentado pensar sobre essa cidade. De novo me parece pretensão demais. Mas, lá vou eu de novo…

“A cidade se define pelos seus contrastes; quer sempre explodir, não suporta estéreis regras… uma cidade inesquecível é um acervo imenso de imagens” Win Wenders

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eixão do lazer

Tentando retomar a rotina fotográfica de volta à Brasília…

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Mercado Municipal

mercado municipal web

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Bricolagem

“O bricoleur ao contrário do homem de artes (no caso, o arquiteto), jamais vai diretamente a um objetivo ou em direção à totalidade: ele age segundo uma prática fragmentária, dando voltas e contornos, numa atividade não planificada e empírica. A construção com pedaços de todas as proveniências, a bricolagem, será, portanto, uma arquitetura do acaso, do lance de dados, uma arquitetura sem projeto.”

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” Em vez de ser determinado pelo projeto, o bricoleur é definido por sua instrumentalidade. E, por essa razão, ele nunca pode parar de coletar e guardar fragmentos de materiais de antigas construções encontrados ao acaso. Além disso, ao contrário da maioria dos arquitetos, o bricoleur trabalha com materiais de segunda mão, com restos do que já foi usado em outras construções, às vezes com outras finalidades técnicas. A bricolagem é uma reciclagem arquitetural sobretudo aleatória, que nasce da fragmentação de antigas arquiteturas.

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“O bricoleur-favelado quer um abrigo, cuja forma definitiva lhe escapa. Trabalha com fragmentos, e de modo também fragmentário. É preciso ter sempre em mente que seu objetivo maior é abrigar sua família e que a construção de seu abrigo se atém, num primeiro momento, ao mínimo essencial para responder a essa função primeira de proteção.”

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“Isso muda a relação de temporalidade, já que a grande diferena entre abrigar e habitar vem do fato de que abrigar é da ordem do temporário e do provisório, enquanto habitar é da ordem do durável e do permanente. O abrigo é provisório mesmo que ele deva durar pra eternidade; a habitação, ao contrário, é durável mesmo que vá desmoronar amanhã.

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guerra urbana

“As populações sem moradia transbordam os limites espaciais tradicionais estabelecidos da exclusão social _as periferias afastadas e as encostas _ para invadirem toda a cidade. Infiltram-se nas fissuras do tecido urbano, nos desvãos do construído, em todos os espaços intersticiais.

É uma operação de reconquista do território urbano, movida contra as regulamentações administrativas e a urbanização excludente do capital. São manobras de guerrilha urbana: desviam de obstáculos para penetrar por outras frestas, reinventam constantemente novas economias e táticas de ocupação. Suas formações de combate e manobras constituem uma verdadeira empresa bélica. Seus ataques consistem em sitiar e invadir os espaços, cortar as vias de comunicação e estabelecer linhas de fuga.”

Fotonovela: Maquinas de Guerra X Aparelhos de Captura
Nelson Brissac

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